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Depois dos fogos e das vagas por preencher no ensino superior, o interior ficou ainda mais pobre e abandonado

27/08/2025
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Estávamos na primeira metade de 2018 e acabara de nascer o Movimento pelo Interior. A ideia não era nova: há décadas que Portugal se olha ao espelho e vê reflectido um corpo disforme, obeso em Lisboa, gordo no Porto, nutrido na faixa do Litoral de Setúbal a Viana ou no Algarve e raquítico e famélico em todo o espaço do interior. Dessa vez, porém, havia razões para acreditar que algo poderia mudar. O movimento reunia autarcas de vários partidos, académicos como Fontaínhas Fernandes

ou figuras prestigiadas da vida pública como Miguel Cadilhe ou Silva Peneda. O Presidente Marcelo apoiava-o, a qualificação dos seus membros tinha criado um programa mobilizador e, nas palavras de Silva Peneda, radical.

Em que resultou essa ambição e esse projecto destinado a reequilibrar o país e criar um modelo de sociedade e de economia mais justo, coeso, moderno e competitivo? A resposta pode encontrar-se no rasto de destruição das últimas semanas nas florestas portugueses. E pode confirmar-se nos resultados do concurso de acesso ao ensino superior deste ano. Quase todas as universidades e politécnicos do país perderam alunos. Mas foi no interior que essa perda mais se notou. Em alguns casos, ficaram por ocupar 40% das vagas disponíveis. Os estudantes são molas cruciais para a economia de cidades como Bragança, Vila Real ou Covilhã

Caso para se voltar a um dos mais graves e profundos problemas do país. O abandono do interior (há quem lhe chame territórios de baixa densidade) é muito mais que uma penalização aos quase 2 milhões de portugueses que lá vivem e resistem: é um desperdício de recursos. Com 75% da população e da economia concentrados no Litoral, estamos a sobre explorar uma parte do território e a esquecer a outra parte. Não estamos a conseguir um desenvolvimento justo e harmonioso. E não estamos, porquê? Bem se sabe que contrariar uma tendência demográfica, social e económica iniciada em 1950 é difícil. Mas também se sabe que, nos 50 anos da democracia, nenhum governo se empenhou para lá das palavras em investir no interior. Iremos ainda a tempo?

No episódio de hoje, temos connosco António Fontaínhas Fernandes, que foi membro fundador do Movimento pelo Interior, reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde é professor catedrático. Fontainhas Fernandes é presidente da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

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