Em By Flávio, curta-metragem de 2022 dirigida por Pedro Cabeleira, espampanante de recorte e de imponência hiper-realistas, na pretendente a influencer interpretada por Ana Vilaça a actriz ameaçava-nos já com o seu talento: afrontosamente brilhante, não necessariamente narcisista, ao serviço de uma desesperada.
Em Entroncamento, a segunda longa do realizador, desde esta quinta-feira em 28 salas do país, acontece algo do domínio da superação. Nela e no filme. Sobre Ana: é poderosa e esfuziante.
A actriz tem 34 anos. Diz-se detentora de um sentimento de não pertença, a lugar nenhum, e verteu isso para a personagem de Laura. Que é um dos statements políticos femininos mais vibrantes do recente cinema português, como Cleo Diára em O Riso e a Faca (Pedro Pinho, 2005).
Por causa disto: Laura — a única personagem do filme que é totalmente de ficção, sem correspondência na realidade que Pedro Cabeleira conheceu na cidade da sua infância — passa por Entroncamento e leva com ela debaixo do braço um pedaço grande do filme; isto porque Ana entrou na dinâmica e na mente dos argumentistas e do seu fascínio, masculino, pela mitologia dos fora-da-lei, dos pequenos gangsters.
Laura vem de fora e subverte um mundo de construções misóginas e racistas. Pertencer-lhe-á o último golpe. Neste episódio de No Escuro sabemos algo mais de Ana. Falamos sobre o que é isso do magnetismo; sobre a raiva e sobre o talento.
No Escuro é um podcast com os jornalistas Alexandra Prado Coelho e Vasco Câmara, para ouvir todas as sextas-feiras no site do jornal ou na sua plataforma preferida. A música do genérico é um excerto de The Hidden Desert, gentilmente cedido pelo Rodrigo Amado Quartet (Rodrigo Amado, Joe Mcphee, Kent Kessler e Chris Corsano).
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