
Francisco Mota Saraiva e João Dinis avistam «ao fundo duma cova uma conspiração de cães à volta do cadáver dum homem». O seu nome é Dantas Castro, major Dantas C.. Identificam-se os respectivos cúmplices: Cabo Barroca, Arquitecto Fontenova e Mena. Investiga Elias Chefe, o Covas. O lagarto Lizardo repousa na sua campânula de vidro. Lisboa, Portugal, adormece debaixo do retrato fechado do tiranete Oliveira Salazar.
Porém, «quando o sangue cheira a política até as moscas largam a asa». Ou assim escreveu José Cardoso Pires, no seu romance Balada da Praia dos Cães, Prémio APE, em 1982, e que retrata este país de brandos e bons costumes tomado pelo medo e pelas falsas moralidades.
«Ora agora mentes tu, ora agora minto eu, mentia tudo, minha gente», som de uma balada triste, como uma zarzuela, de uma Carmen (de Bizet!), e que se serve, sem mentir!, e a fim de abrilhantar os decíduos de um país, nessa melancolia de um copo de Lagar De Darei, um branco, reserva, de 2022. É para ler e para beber antes que os cães tomem conta da morte e que descubram que não há crime maior do que ser português.
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