Como acabamos de ouvir, o regime iraniano reprime a tiro as manifestações que exigem a queda da República Islâmica. Neste caso, trata-se do som de um vídeo da fuga de manifestantes em Malekshabi.
A vaga de protestos começou em Teerão, a 28 de Dezembro, e alastrou, rapidamente, a todo o país e já terá provocado a morte de mais de 2600 pessoas.
Impulsionados pela desvalorização da moeda e por uma inflação de 40%, os comerciantes dos bazares foram os primeiros a desafiar o regime. A revolta generalizou-se e ameaça a ditadura teocrática, fragilizada pela guerra dos 12 dias com Israel, os bombardeamentos dos EUA e pesadas sanções económicas.
Estes são os maiores protestos desde a revolta provocada pelo assassinato de Masha Amini, uma jovem de origem curda, presa e torturada pela polícia, em 2022, por não usar correctamente o hijab.
Donald Trump diz que a ajuda a quem protesta vai a caminho e que não está disposto a negociar com as autoridades do país.
A oposição iraniana está dividida, não tem líderes e o regresso do filho do xá, deposto na revolução islâmica de 1979, não é uma figura unificadora.
Reza Palevi diz que o regime está em guerra com a população. É verdade. Mas Palevi invoca memórias de uma monarquia repressiva. O regime do ayatollah Ali Khamenei vai sobreviver à pressão interna e à pressão externa?
Neste episódio, Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, explica o que se passa e o que se poderá passar no Irão.
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