
Carla Madeira sobre a literatura como caminho para compreender a condição humana
Queria ser cantora, chegou a estudar Matemática, como o pai, mas acabou por seguir outro caminho. Formada em Jornalismo e Publicidade, área a que dedicou grande parte da sua carreira, foi aos 50 anos que decidiu publicar o seu primeiro romance, “Tudo é Rio”, e tomar de assalto os leitores brasileiros e portugueses. Hoje tem quatro obras publicadas, a mais recente acabadinha de sair do forno e com o título “Quando”.
Convidada deste episódio do podcast Andas a Dormir com Quem?, a autora brasileira fala sobre o seu processo de escrita e a polifonia que caracteriza os seus livros, onde as vozes das personagens se misturam com a do narrador. Carla Madeira aborda também as reações dos leitores à forma como Tudo é Rio trata a violência doméstica e o “certo fracasso” que existe sempre entre a intenção do autor e a leitura que cada pessoa faz de uma obra.
Ao mesmo tempo reflete sobre a distinção entre compreender as motivações de uma personagem e desculpar os seus atos, como o perdão não é sinónimo de impunidade e como nas suas histórias procura explorar a condição humana e encontrar espaço para a empatia. Num mundo em que todos nós “somos atores” e simultaneamente “vítimas da violência”, o seu romance de estreia pretende deixar a pergunta: o que é que nós não estamos a aprender?
Ao longo do episódio, recorda ainda como os livros a ajudaram a manter a ligação ao pai, quando este começou a perder a capacidade de comunicar devido à demência, e partilha também algumas das suas leituras recentes. A saber:
Carla Madeira: Apeirogon: Viagens infinitas, de Colum McCann, O Louco de Deus no Fim do Mundo, de Javier Cercas.
Júlia Pinheiro: Autobiografia não escrita de Martha Freud, de Teolinda Gersão.
Rita Blanco: Tudo é rio, de Carla Madeira, Menino, Menina, de Joana Estrela.
Rui Zink: As Raízes da Língua, de Marco Neves.
Andas a Dormir com Quem? é um podcast original de Júlia Pinheiro, Rita Blanco e Rui Zink. Não perca, todos os domingos, um novo episódio, com música e sonoplastia de João Luís Amorim, produção de Beatriz Carvalho e coordenação de Joana Beleza. A capa é de Tiago Pereira Santos, com fotografias de Matilde Fieschi. A direção é de Daniel Oliveira.
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