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“Looksmaxxing”: moda perigosa ou mais um fenómeno de histeria colectiva? — Como Assim

13.05.2026
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Do przodu o 15 sekund

Ascender. Mogging. Mewing.

Durante anos, estas palavras circularam em comunidades fechadas da internet. Hoje, aparecem em vídeos virais no TikTok e no Instagram — ao lado de conselhos de ginásio e rotinas de “auto-desenvolvimento”.

Chamam-lhe looksmaxxing: a ideia de que qualquer homem pode melhorar a sua vida, o seu estatuto e as suas relações, se conseguir melhorar a aparência.

À primeira vista, parece apenas mais uma versão do velho discurso do “investe em ti próprio”. Mas rapidamente escala para algo diferente. Há vídeos a ensinar a injectar substâncias sem supervisão médica, a consumir estimulantes para perder peso ou até a martelar ossos da cara para mudar o formato do maxilar.

Para o cirurgião plástico Rúben Malcata Nogueira, este tipo de práticas não resiste a qualquer validação clínica. No consultório, diz, já se vêem as consequências de outras modas vindas das redes sociais. “Quando avançamos com uma cirurgia, estamos a fazer uma alteração definitiva. Não é algo que se possa testar como uma moda”, explica.

O rosto mais visível deste fenómeno é Clavicular, um jovem norte-americano que transformou estes métodos numa espécie de manual. Mostra resultados, vende programas e apresenta-se como prova de que o método funciona.

Clavicular não tem uma base de seguidores muito diferente de muitos outros criadores. Ainda assim, parece estar em todo o lado — nas redes sociais, na imprensa internacional, no feed de quem nunca o procurou.

Há centenas de milhares de vídeos associados ao seu nome a circular online e, juntos, acumulam milhares de milhões de visualizações.

A sensação de omnipresença não é acidental. E ajuda a explicar como uma subcultura que nasceu em fóruns marginais se tornou, em poucos meses, parte do conteúdo que chega a milhões de jovens.

Para Tiago Rolino, que tem investigado diferentes masculinidades no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o “looksmaxxing” não cria uma nova masculinidade. Amplifica uma antiga: competitiva, hierárquica, centrada na comparação entre homens.

Neste episódio do podcast Como Assim, mergulhamos no fenómeno do “looksmaxxing” e procuramos perceber que impacto pode estar a ter nos nossos jovens.

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