
O caso Jeffrey Epstein voltou ao centro do debate público depois da divulgação de novos documentos ligados à sua rede de contatos. O que deveria ser uma discussão sobre abuso de poder, impunidade e responsabilidade institucional rapidamente se transformou em algo maior. No Brasil, o sociólogo Jessé Souza publicou um vídeo associando o caso a um suposto “lobby judaico” e ao sionismo, ampliando o escândalo para uma narrativa de controle global. A repercussão foi imediata, e revelou algo que vai além de um episódio isolado: o retorno de velhas teorias conspiratórias com nova linguagem. O que está em jogo quando um crime real vira combustível para o antissemitismo?
O caso Epstein envolve vítimas reais, redes de poder reais e falhas institucionais que precisam ser investigadas com seriedade. Mas o que estamos vendo agora é um deslocamento preocupante: o escândalo passa a ser usado como prova de uma suposta conspiração judaica global, às vezes explicitamente, às vezes sob o rótulo de “sionismo” ou “elite financeira internacional”. Esse tipo de narrativa não nasce em um campo político específico. Ele aparece tanto em setores da extrema-direita, que reciclam mitos clássicos sobre controle judaico do mundo, quanto em setores da esquerda, que revestem a mesma estrutura conspiratória com linguagem anti-imperialista ou antissionista. Em comum, está a lógica de transformar indivíduos em símbolos e símbolos em explicações totalizantes. Para entender como esse mecanismo funciona, e por que ele reaparece com tanta força em momentos de crise institucional, convidamos Daniel Feldmann, professor da Universidade Federal de São Paulo.
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