Literatura Oral podcast

#72 O CRIME DO PADRE AMARO, EÇA DE QUEIROZ - PARTE 3

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No último episódio, vimos como foi a infância e a juventude de Amaro. Ele fica órfão cedo, é criado pela marquesa, na casa em que os pais trabalhavam, e não recebe afeto de ninguém. Também não é questionado sobre o que quer fazer da vida. Aos 15 anos é enviado ao seminário, porque foi a decisão da marquesa. E vai de bom grado, pra fugir da vida árida que levava na casa do tio. No seminário, ele só pensa em fugir, em terminar logo os estudos e ser livre. Ele demonstra curiosidade sobre mulheres e chega a pensar que ser padre não é uma boa, porque não vai poder casar, mas como também não tem outra alternativa, termina o curso e é ordenado. Amaro fica confuso quanto à imagem da mulher difundida no seminário, ora santa, ora demoníaca.

Mais uma vez, o romance de Queiroz nos indica envolvimento da religião com a política, sendo que os padres exerciam muito poder junto às comunidades e podiam influenciar os votos. Assim, as nomeações para as paróquias atendiam a interesses políticos. Mas Amaro consegue nomeação para Leiria, onde a gente viu que ele chegou e encontrou o mestre de moral, o cônego Dias.

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Mais episódios de "Literatura Oral"

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    #74 O CRIME DO PADRE AMARO, EÇA DE QUEIROZ - PARTE 5

    1:04:30

    No último episódio, vimos que Amaro flagrou Joaneira e o cônego Dias no quarto e que Amaro deu um beijo em Amélia. Quando isso aconteceu, ele tinha acabado de sair de um almoço de aniversário, em que um padre chamado Natário falava que padres não tem o poder da absolvição, que isso só cabe a Deus. Ele lembra os colegas que são humanos, às vezes estão ouvindo as confissões empanturrados de tanto comer, às vezes com dor de barriga. Isso tudo vai fazendo com que Amaro ande mais pro lado de fazer o que lhe dita o instinto mesmo, e menos pro lado de ser um padre muito convicto. Todas as ações dos padres daquela comunidade são no sentido contrário do que deveriam agir. Falam mal dos pobres, admitem casos com mulheres, comem e bebem demais, usam a confissão pra manipular as mulheres e tomam partido na política, chegando a mentir que têm cartas assinadas por Maria, mandando que votem em determinado candidato. Com isso, colocando esse discurso mundano na voz de uma personagem que é padre, o padre Natário, Eça de Queiroz está colocando as duas mãos nos ombros do leitor, sacudindo o leitor e falando “pensa, criatura!”. Pensa se é certo que a religião, que os padres controlem tanto assim a tua vida. Pensa se precisa demasiadamente da confissão, escutada afinal de contas por pecadores como tu! Sejam críticos, leitores! Não sejam adulões desse ou daquele, não chamem político de mito, por exemplo! --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    #73 O CRIME DO PADRE AMARO, EÇA DE QUEIROZ - PARTE 4

    1:09:29

    No último episódio, uma reunião de carolas na casa de Joaneira dá o tom de como é aquela comunidade. Muita influência da igreja, uma fé meio exagerada das beatas e a convivência de padres na casa da Joaneira e da Amélia. Amélia cresce no meio de padres e no ambiente da igreja. Mas é tudo temperado de uma certa perniciosidade e um pseudomoralismo. A gente viu sobre o passado de Amélia, que não lembra do pai, só de padres frequentando a casa dela até altas horas. Ela sofreu uma decepção amorosa e pensou em ser freira, até porque tem muita intimidade com o ambiente religioso. Está noiva de João Eduardo, que é uma personagem que destoa por ser a voz da ciência dentro do romance. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    #72 O CRIME DO PADRE AMARO, EÇA DE QUEIROZ - PARTE 3

    59:39

    No último episódio, vimos como foi a infância e a juventude de Amaro. Ele fica órfão cedo, é criado pela marquesa, na casa em que os pais trabalhavam, e não recebe afeto de ninguém. Também não é questionado sobre o que quer fazer da vida. Aos 15 anos é enviado ao seminário, porque foi a decisão da marquesa. E vai de bom grado, pra fugir da vida árida que levava na casa do tio. No seminário, ele só pensa em fugir, em terminar logo os estudos e ser livre. Ele demonstra curiosidade sobre mulheres e chega a pensar que ser padre não é uma boa, porque não vai poder casar, mas como também não tem outra alternativa, termina o curso e é ordenado. Amaro fica confuso quanto à imagem da mulher difundida no seminário, ora santa, ora demoníaca. Mais uma vez, o romance de Queiroz nos indica envolvimento da religião com a política, sendo que os padres exerciam muito poder junto às comunidades e podiam influenciar os votos. Assim, as nomeações para as paróquias atendiam a interesses políticos. Mas Amaro consegue nomeação para Leiria, onde a gente viu que ele chegou e encontrou o mestre de moral, o cônego Dias. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    #71 O CRIME DO PADRE AMARO, EÇA DE QUEIROZ - PARTE 2

    58:16

    No último episódio eu comecei a leitura comentada de O crime do padre Amaro, romance de Eça de Queiroz, publicado em 1875. Aqui no Literatura Oral já teve a obra que abre o período literário conhecido como Realismo no Brasil, que foi Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Foram os primeiros episódios do LO. E agora to fazendo a leitura comentada do livro que inicia o Realismo em Portugal, que foi O crime do padre Amaro. O livro inicia com um panorama do quanto a cidade de Leiria, e Portugal em geral, é católica e cheia de membros do clero. Vaga uma paróquia e Amaro, recém ordenado, consegue ir pra lá. Ele encontra o mestre de moral do seminário, o cônego Dias, que arranjou um quarto pra ele alugar na casa da Joaneira. Dias e Joaneira são bem próximos, ele mesmo diz que visita todos os dias, recebe doces feitos por ela e ajuda nas contas da casa da mulher. Ela tem uma filha, Ameliazinha, de 23 anos, cujo quarto fica exatamente em cima do quarto ocupado por Amaro. É um tempo sem luz elétrica, numa cidade muito silenciosa, até porque tem um toque de recolher às 9h30. Então Amaro inevitavelmente escuta os movimentos da menina no quarto acima. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    #70 O CRIME DO PADRE AMARO, EÇA DE QUEIROZ

    53:07

    Hoje vou iniciar a leitura comentada de um romance, que faz tempo que não faço. Vai ser O crime do padre Amaro, de Eça de Queiroz. Quem acompanha o podcast já sabe como é, e pra quem é novo por aqui, funciona assim: quando eu faço a leitura de um romance, são vários episódios de leitura, com comentários e análises da narrativa no início e no final de cada episódio. A cada novo episódio, eu retomo brevemente o que foi lido no anterior, e no final, chamo atenção para o que foi lido no dia. Marcando o início e o fim da leitura, vocês ouvem a vinheta do Literatura Oral. Entre uma vinheta e outra é a leitura da obra tal e qual o autor escreveu, nada do que é dito ali é opinião minha. Só que com O crime do padre Amaro eu vou fazer uma coisa diferente. Como Eça de Queiroz era muito detalhista em descrições e o livro é grande, para que a gente não tenha uns 20 episódios do mesmo livro, vou suprimir algumas das descrições. Mas a essência da narrativa e as descrições principais serão mantidas. E aí eu vou lendo e fazendo comentários, sem pressa, postando quando der, e fazendo quantos episódios esse livro render. Então te inscreve no canal, deixa teu like, teus comentários pra eu saber o que tu está achando, e bora começar! --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    ARCADISMO + ROMANCEIRO DA INCONFIDÊNCIA - AULA 4

    17:05

    Dicas sobre Arcadismo. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    BARROCO - AULA 3

    10:39

    Dicas sobre Barroco :)  --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    #69 TODAS IGUAIS, MAR BECKER

    17:59

    Então vamos saber um pouco sobre o tema deste episódio: “todas iguais” está em A mulher submersa, primeiro livro de poesias de Marceli Andresa Becker, a Mar Becker, que nasceu em Passo Fundo, no RS, e atualmente mora em São Paulo. Ela tem formação em Filosofia e especialização em Metafísica e Epistemologia, que é um ramo da Filosofia, que pesquisa o conhecimento científico. A mulher submersa saiu pela editora Urutau. Para os ouvintes de Portugal do Literatura Oral, o livro está disponível também por aí! Eu conheci o trabalho da Mar Becker pela indicação da Roberta Santurio, escritora do A educação vitoriana sob a ótica de Charles Dickens, que eu comentei no episódio #67. Dia 4 de novembro, semana passada, A mulher submersa foi premiado com o Minuano de Literatura, na categoria poesia. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    UMA CRÔNICA DE HALLOWEEN - FAIXA BÔNUS 8

    9:29

    Oi, este é o Literatura Oral, podcast de leitura comentada e de sugestões literárias. Esta é a faixa bônus 8, com leitura de “Uma crônica de Halloween”, publicada no site Paralelo29.com, em 31 de outubro. Eu conto sobre a tradição irlandesa do Halloween com origem na festa celta Samhain e de uma visita que fiz a uma igreja, em Dublin, que tem múmias de 800 anos na cripta. Fui pesquisar sobre as datas de construção da St. Michan’s Church e encontrei uma notícia que, em 2019, vândalos invadiram a cripta, decapitaram dois corpos mumificados, viraram um outro de bruços e levaram uma cabeça. Que doideira, hein! A cabeça foi recuperada. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app
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    #68 O BARRIL DE AMONTILLADO, EDGAR ALLAN POE

    42:06

    "Descansa em paz", em latim, é a frase que encerra o conto "O barril de Amontillado", de Edgar Allan Poe. É a história de uma vingança, muito bem articulada, esperada, planejada e executada com frieza, em uma noite de carnaval. O tempo da narrativa dista 50 anos da ação narrada. O “o quê” do conto está escrito logo na primeira frase. É uma vingança! Então não é o que vai acontecer nesse conto que é o mistério. Quando o escritor nos entrega de bandeja o que acontece na narrativa, ele quer que a gente preste atenção no “como” que essa coisa vai acontecer.  Depois que gravei o final, me dei conta que, no brasão, Montresor é representado pela serpente, sempre nos calcanhares do nobre pé de ouro que Fortunato simboliza. --- This episode is sponsored by · Anchor: The easiest way to make a podcast. https://anchor.fm/app

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