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Naruhodo #459 - O estoicismo melhora nossa qualidade de vida?

9/2/2026
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Concentrar-se no que é controlável e aceitar o que é incontrolável. Essa á uma das máximas do pensamento estóico, que tem como um de seus expoentes o imperador romano Marco Aurélio e voltou ao hype. Afinal, o que é - e, principalmente, o que não é - estoicismo?

Confira o papo entre o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.

>> OUÇA (58min 48s)

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Naruhodo! é o podcast pra quem tem fome de aprender. Ciência, senso comum, curiosidades, desafios e muito mais. Com o leigo curioso, Ken Fujioka, e o cientista PhD, Altay de Souza.

Edição: Reginaldo Cursino.

http://naruhodo.b9.com.br

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APOIO: INSIDER

Chegou fevereiro, ilustríssima ouvinte e ilustríssimo ouvinte do Naruhodo.

É quando a rotina aperta de verdade: o calor pesa, os compromissos se acumulam, o corpo sente, o Carnaval se aproxima — e a vida real acontece sem pausa.

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REFERÊNCIAS

The Western origins of mindfulness therapy in ancient Rome

https://link.springer.com/article/10.1007/s10072-023-06651-w

A Comparative Analysis of Stoicism and Cognitive Behavioural Therapy (CBT)

http://albertinejournal.org/10%20A%20Comparative%20Analysis%20of%20Stoicism%20and%20Cognitive%20Behavioural%20Therapy%20(CBT).pdf

William James and the Impetus of Stoic Rhetoric

https://scholarlypublishingcollective.org/psup/p-n-r/article-abstract/45/3/246/290269/William-James-and-the-Impetus-of-Stoic-Rhetoric

The Ancient Origins of Cognitive Therapy: The Reemergence of Stoicism

https://www.proquest.com/openview/742f90a1c1e13c9085ce2a9c8d0410fe/1?pq-origsite=gscholar&cbl=28723

Core Beliefs in Cognitive Behavioral Therapy and Stoicism

https://muse.jhu.edu/pub/1/article/964183/summary

Patricia A. Rosenmeyer (2001). Ancient Epistolary Fictions: The Letter in Greek Literature. Cambridge University Press. p. 214. ISBN 978-0-521-80004-4.

https://catdir.loc.gov/catdir/samples/cam031/00041454.pdf

A HISTORY OF CYNICISM 

https://www.holybooks.com/wp-content/uploads/A-History-of-Cynicism.pdf

Stoicism as a Panacea for Contemporary Problems

https://www.proquest.com/openview/f128731c9d006eca833b90aa36167659/1?pq-origsite=gscholar&cbl=18750&diss=y

The Stoic Capitalist: Advice for the Exceptionally Ambitious

https://books.google.com.br/books?hl=en&lr=&id=VR1VEQAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP2&dq=stoicism+and+capitalism&ots=VuA23wsQ3C&sig=BUUMCHZI782I82BzPTwzSi6ui74&redir_esc=y#v=onepage&q=stoicism%20and%20capitalism&f=false

Popular Stoicism in the Face of Social Uncertainty

https://www.ceeol.com/search/article-detail?id=1075832

Diógenes Laércio, Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres

https://revistas.ufrj.br/index.php/FilosofiaClassica/article/download/40618/22230/110987

Nietzsche contra stoicism: naturalism and value, suffering and amor fati 

https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/0020174X.2019.1527547

Stoicism and sensation seeking: Male vulnerabilities for the acquired capability for suicide

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0092656612000530

Can stoic training develop medical student empathy and resilience? A mixed-methods study

https://link.springer.com/article/10.1186/s12909-022-03391-x

Troubling stoicism: Sociocultural influences and applications to health and illness behaviour

https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1363459312451179

Meditações - Marco Aurélio

https://masculinistaopressoroficial.wordpress.com/wp-content/uploads/2017/06/meditac3a7c3b5es-marco-aurc3a9lio.pdf

Big boys don’t cry: An investigation of stoicism and its mental health outcomes

https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0191886907004473

Naruhodo #26 - Meditação faz bem pra saúde, segundo a ciência?

https://www.youtube.com/watch?v=cqzZlXHtxjk

Naruhodo #404 - Por que algumas pessoas gostam de terminar as coisas e outras não?

https://www.youtube.com/watch?v=pTSZ--4TKMk

Naruhodo #135 - Como eu sei que você é você e não eu? - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=Fq-VjuiTOY0

Naruhodo #136 - Como eu sei que você é você e não eu? - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=yRZkLKL6QH0

Naruhodo #319 - O tempo passa mais rápido quando ficamos mais velhos?

https://www.youtube.com/watch?v=8xgBvsN0b_I

Naruhodo #433 - Existe amizade entre homens e mulheres? - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=EFVaBfGaowg

Naruhodo #434 - Existe amizade entre homens e mulheres? - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=H6D1yCni0rc

Naruhodo #446 - O que é transfuga de classe?

https://www.youtube.com/watch?v=HQQyT1sawZo

Naruhodo #430 - Por que é tão difícil deixar o rancor de lado?

https://www.youtube.com/watch?v=u0IesoD4A9A

Naruhodo #346 - Programação Neurolinguística (PNL) tem base científica? - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=p9-iauANzY0

Naruhodo #347 - Programação Neurolinguística (PNL) tem base científica? - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=yggQXOE9lRY

Naruhodo #186 - O que são as 4 causas de Aristóteles?

https://www.youtube.com/watch?v=GQnAQGbMpXc

Naruhodo #393 - A psicologia positiva tem validade científica? - Parte 1 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=LnSZCHHfoWI

Naruhodo #394 - A psicologia positiva tem validade científica? - Parte 2 de 2

https://www.youtube.com/watch?v=n8h3zC7YLNs

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TEXTO MARCO AURÉLIO

Ao despontar a aurora, faça estas considerações prévias: encontrarei com um indiscreto, com um ingrato, com um insolente, com um mentiroso, com um invejoso, com um não-sociável. Tudo isso lhes ocorre por ignorância do bem e do mal. Mas eu, que observei que a natureza do bem é o belo, e que a do mal é o vergonhoso, e que a natureza do próprio pecador, que é meu parente, porque participa, não do mesmo sangue ou da mesma semente, mas das inteligência e de uma porção da divindade, não posso receber dano de nenhum deles, pois nenhum me cobrirá de vergonha; nem posso me aborrecer com meu parente nem odiá-lo. 

Pois, nascemos para colaborar, como os pés, as mãos, as pálpebras, os dentes, superiores e inferiores. Agir, pois, como adversários uns para com os outros é contrário à natureza. E é agir como adversário o fato de manifestar indignação e repulsa. 

Isso é tudo o que sou: um pouco de carne, um breve fôlego vital e o guia interior. Deixe os livros! Não te distraias mais; não está permitido a ti. Mas que, na idéia de que já és um moribundo, despreza a carne: sangue e pó, ossos, fino tecido de nervos, de pequenas veias e artérias. Olha também em que consiste o fôlego vital: vento, e nem sempre o mesmo, pois em todo momento se expira e de novo se aspira. Em terceiro lugar, pois, te resta o guia interior. Reflete assim: és velho; não o consintas por mais tempo que seja escravo, nem que siga ainda arrastando-se como marionete por instintos egoístas, nem que maldigas o destino presente ou tenhas receio do futuro. 

Para qualquer parte da natureza, é bom aquilo que colabora com a natureza do conjunto e o que é capaz de preservá-la. E conservam o mundo tanto as transformações dos elementos simples como as dos compostos. Sejam suficientes para ti essas reflexões, se são princípios básicos. Afasta tua sede de livros, para não morrer amargurado, mas verdadeiramente resignado e grato de coração aos deuses. 

Não consumas a parte da vida que te resta fazendo conjecturas sobre outras pessoas, a não ser que teu objetivo aponte para o bem comum; porque certamente te privas de outra tarefa. Ao querer saber, ao imaginar o que faz fulano e por que, e o que pensa e o que trama e tantas coisas semelhantes que provocam teu raciocínio, tu te afastas da observação do teu guia interior. Convém, consequentemente, que, no encadear das tuas ideias, evites admitir o que é fruto do azar e supérfluo, mas muito mais o inútil e pernicioso. Deves também acostumar-te a ter unicamente aquelas ideias sobre as quais, se te perguntassem de súbito “em que pensas agora?”, com franqueza pudesses responder no mesmo instante “nisso e naquilo”, de maneira que no mesmo instante se manifestasse que tudo em ti é simples, benévolo e próprio de um ser isento de toda cobiça, inveja, receio ou qualquer outra paixão, da qual pudesses envergonhar-te ao reconhecer que a possui em teu pensamento. 

Porque o homem com essas características, que já não demora em situar-se entre os melhores, converte-se em sacerdote e servo dos deuses, posto ao serviço também da divindade que habita seu interior; tudo que o imuniza contra os prazeres, o faz invulnerável a toda dor, intocável a todo excesso, insensível a toda maldade, atleta da mais excelsa luta, luta que se entrava para não ser abatido por nenhuma paixão, impregnado a fundo de justiça, apegado, com toda a sua alma, aos acontecimentos e a tudo o que lhe tenha acontecido. E, raramente, a não ser por uma grande necessidade e tendo em vista o bem comum, cogita o que a outra pessoa diz, faz ou pensa. 

Colocará unicamente em prática aquelas coisas que lhe correspondem, e pensa sem cessar no que lhe pertence, o que foi alinhado ao conjunto. Enquanto, por um lado, cumpre o seu dever, por outro, está convencido de que é bom. Porque o destino designado a cada um está envolvido no conjunto e ao mesmo tempo o envolve. Tem também presente que todos os seres racionais têm parentesco e que preocupar-se com todos os homens está de acordo com a natureza humana Mas não deves considerar a opinião de todos, mas somente a opinião daqueles que vivem conforme a natureza. E, em relação aos que não vivem assim, prossegue recordando até o fim como são em casa e fora dela, pela noite e durante o dia, e com que classe de gente convivem. Consequentemente, não considera o elogio de tais homens que nem consigo mesmos estão satisfeitos.

Na convicção de que pode sair da vida a qualquer momento, faça, fale e pense todas e cada uma das coisas em consonância com essa ideia. Pois distanciar-se dos homens, se existem deuses, em absoluto é temível, porque estes não poderiam atirar-te ao mar. Mas, se em verdade não existem, ou não lhes importam os assuntos humanos, para que viver em um mundo vazio de deuses ou vazio de providência? Mas sim, existem, e lhes importam as coisas humanas, e criaram todos os meios a seu alcance para que o homem não sucumba aos verdadeiros males. E se restar algum mal, também haveriam previsto, a fim de que contasse o homem com todos os meios para evitar cair nele. Mas o que não torna pior um homem, como isso poderia fazer pior a sua vida? Nem por ignorância nem conscientemente, mas por ser incapaz de prevenir ou corrigir esses defeitos, a natureza do conjunto o teria consentido. E, tampouco, por incapacidade ou inabilidade teria cometido um erro de tais dimensões como acontece aos bons e aos maus indistintamente, bens e males em partes iguais. Entretanto, morte e vida, glória e infâmia, dor e prazer, riqueza e penúria, tudo isso acontecem indistintamente ao homem bom e ao mal, pois não é nem belo nem feio, porque, efetivamente, não são bons nem maus.

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