
A Camila quase morreu na sua primeira gravidez e pensou que não teria mais filhos, até que engravidou de gêmeos. Quando pensou que o pior já tinha passado, ela encontrou com a morte quando um dos gêmeos foi para a UTI.
Ainda no começo da primeira gravidez, veio a pressão alta, a internação e uma pericardite que a colocou entre a vida e a morte. Os médicos queriam interromper a gestação para salvá-la, mas a Camila não aceitou.
Fez uma promessa e seguiu segurando aquela filha como quem segura o próprio futuro. A bebê nasceu prematura, mas bem.
2 anos depois, mesmo sabendo que uma nova gravidez poderia colocá-la em risco, Camila descobriu que estava esperando gêmeos e que um deles tinha uma questão cardíaca. Com a notícia, o medo seguiu com ela durante a gestação.
Quando os bebês nasceram, parecia que tudo ficaria bem, mas poucas horas depois, o Davi ficou roxo e foi levado para a UTI.
O bebê recebeu alta, até que um dia, a Camila notou o filho sem reação, ele tava tendo uma parada cardíaca. Davi tinha apenas 28 dias. Foram minutos intermináveis até a chegada do socorro.
No hospital, ele teve novas paradas, entrou em coma e depois sofreu um AVC. Mais tarde, os médicos entenderam que o problema no coração explicava tudo.
Por ser algo grave, chamaram a família para se despedir e disseram que, se o bebê sobrevivesse, ele talvez não andasse, não falasse, dependeria de cuidados por toda a vida.
Camila fez então sua segunda promessa, só que ela não pediu que o filho ficasse, pediu apenas que ele não sofresse.
A melhora veio devagar. Primeiro, a atividade cerebral normal. Depois, cada pequeno avanço. Mamar. Respirar. Voltar para casa. A infância de Davi ainda foi cercada de medos e internações, mas não tirou dele aquilo que mais impressiona a mãe: a vontade de viver.
Hoje, Davi com 15 anos, sonha em ser astrônomo. E Camila olha para os três filhos como quem olha para o impossível depois que ele aconteceu.
Ninguém a ensinou ser forte para enfrentar tudo aquilo, mas entre dor, fé, amor e rede de apoio, ela seguiu firme. Porque às vezes a força de uma mãe não nasce da certeza, mas do amor que decide continuar, mesmo tremendo.
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