Perguntar Não Ofende podcast

Ricardo Alexandre: até onde pode o Irão resistir?

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Há quase um mês que somos bombardeados com imagens de guerra e destruição com a estética de videojogo. Explosões filmadas por drones, gráficos de mísseis, comunicados triunfalistas. Mas por trás das imagens há um país de noventa milhões de pessoas, uma orgulhosa civilização com cinco milénios e um conflito que não começou há três semanas. Está latente há quase cinco décadas, desde que uma revolução islâmica derrubou uma monarquia sustentada pelos Estados Unidos – que por sua vez tinha derrubado uma democracia de Mossadegh que beliscou os interesses ocidentais. Património da UNESCO, agora parcialmente destruído pelos mísseis, o Palácio Chehel Sotoun, tem um fresco que retrata a batalha de Chaldiran, em 1514. Celebra uma derrota. Na cultura xiita o martírio não é sinal de fraqueza. O regime colegial iraniano não é tão fácil de decapitar como o de Saddam e assenta numa ideia de resistência ao exterior. Não tem a arma nuclear, mas tem o Estreito de Ormuz. Faz mossa aos Estados Unidos, nem tanto a Israel. E este desencontro pode complicar o fim desta guerra. O convidado é Ricardo Alexandre, editor da TSF, onde apresenta o Estado do Sítio e o Mapa Mundo. Doutorado em Ciência Política pelo ISCTE, com reportagem de guerra nos Balcãs, Palestina, Afeganistão e Irão, esteve no país em 2005 e 2015 e acaba de publicar Tudo Sobre o Irão, um impressionante retrato de 448 páginas que vai da história dos velhos reinos persas à morte de Khamenei, da análise do sistema político iraniano até à influência cultural do futebol nesse país e da figura de Carlos Queiroz.

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