
Pedro Chagas Freitas: “Nada comove mais do que alguém querer salvar o nosso filho”
Pedro Chagas Freitas nasceu em Guimarães, mas o seu interesse pela escrita floresceu em Lisboa, onde estudou Linguística. Foi jornalista, até descobrir a escrita criativa. Hoje é um dos autores mais lidos em Portugal. Depois dos bestsellers A Raridade das Coisas Banais e Prometo Falhar, está quase chegar aos 40 livros. O mais recente romance, O Hospital de Alfaces, resulta do tempo que viveu na unidade de transplantados com o filho Benjamin que sobreviveu também graças a um apelo nas redes sociais. No Instagram, tem 427 mil seguidores e, no Facebook, ultrapassa o meio milhão.
Recusa o título de escritor e prefere dizer que é alguém que escreve livros. “Quis tirar esse acto sagrado da escrita. Não é nada sagrado, é algo que todos nós sabemos fazer. Todos escrevemos, apesar de só alguns escreverem livros”, defende o autor, que escreve diariamente reflexões nas redes sociais. “O Saramago tinha uma expressão maravilhosa onde dizia que queria colonizar o outro. E eu não quero colonizar. Julgo que quando escrevo sobre a actualidade é para fazer o outro olhar para ela”, explica.
Foi num dessas reflexões que desabafou sobre a doença do filho, Benjamim, que precisava de um transplante de fígado para sobreviver, apelando a possíveis dadores. “Foram um pai e uma mãe desesperados que tornaram a situação pública. A partir daí, foi uma onda de amor inacreditável e ficou quase uma dívida aos milhares de pessoas que se disponibilizaram a dar uma parte do seu corpo para salvar o meu filho. Nada comove mais do que alguém querer salvar o nosso filho”.
“Mas nunca me senti tão nulo e tão 'desimportante' como ali. Nada estava nas minhas mãos”, lamenta no oitavo episódio do podcast A Vida Não é o Que Aparece, onde fala sobre a experiência de quase viver num hospital. “O adulto tem de ser o palhaço de serviço. É um exercício antilógico porque estamos todos partidos e temos de fazer rir uma criança”, testemunha.
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